quarta-feira, 19 de novembro de 2008

"Ser má mãe!"

Quando pensei engravidar não sabia nem um décimo do que sei hoje (para o bem e para o mal). Quando engravidei e comecei a frequentar fóruns e blogs fiquei a saber ainda mais (para o bem e para o mal).

Leio em muitos blogs a frase "serei má mãe?" e fico desconcertada, verdadeiramente desconcertada. Não entendo este tipo de dúvidas quando uma mãe se apercebe que não é a super mulher e que falha. Percebo as dúvidas, os receios, o ficar à toa etc, mas a insegurança absoluta de que não são boas mães penso que vem muito pelo que lêem noutros blogs. É que há blogs de uma perfeição impressionante, onde os filhos são o máximo e as mães XPTO!

O amamentar: é verdadeiramente impressionante as vezes que leio mães com vergonha de não darem de mamar. Mais ainda, mães que se justificam e quase pedem perdão a outras mães como se estivessem a quebrar um compromisso de honra ao qual falharam por completo. Tornou-se absolutamente necessário comparar quem dá de mamar mais tempo. Dar de mamar passou a ser um acto obrigatório e quem não o faz, pela pressão pública, sente-se envergonhada e quase que se apresenta em praça pública para que seja justamente linchada pelo pecado que cometeu. Dar de mamar passou a ser um acto fundamentalista e já não há discernimento, deixou de se poder pensar sobre.
Eu pessoalmente não acredito na amamentação depois dos 6 meses. A partir dessa altura dar de mamar passa a ser um acto apenas de ligação com o filho. Mete-me realmente confusão ver miúdos de 2 anos a mamar, mas lá está, é a minha opinião e da mesma forma que não julgo quem o faz (não entendo mas não interfiro) também não permito que julguem a minha forma de pensar.

Desde que engravidei e sempre que passei por um mau bocado sempre ouvi a frase: pensa no teu filho. Pensa em como isso lhe faz mal. Esta semana fui à obstetra e falei-lhe de um ataque de ansiedade que tive e ela respondeu-me o mesmo: "tem de pensar no seu filho". Bom, eu quis ser simpática, mas mais do que isso não quis que o meu filho nascesse na prisão, porque juro estive mesmo para lhe saltar ao pescoço. Saí do consultório sem dizer bom dia, nem até à próxima, engolindo a fúria que esta senhora me deu. É que frases como estas eu dispenso bem, sei que não é por mal, mas por favor um pouco mais de originalidade, um pouco mais de capacidade de perceber que ouvir isso ainda me faz sentir pior. Uma vez uma pessoa sábia disse: "antes de seres mãe és mulher, és uma pessoa!" Mas quando se engravida aos olhos da sociedade nós, as grávidas deixamos de ser gente para passarmos a ser...barrigas, e se caímos no erro de falar do que sentimos somos rotuladas de "más mães". Daí a pressão tão grande que se exerce hoje em dia e que deixa as tais dúvidas. Se dizemos: hoje dói-me a cabeça ouvimos um "ah, mas tens de pensar positivo, tens um bebé dentro de ti"; se dizemos: hoje não estou bem disposta, ouvimos um "ah, pensa no ser que tens a crescer dentro de ti e ficas logo melhor"; se dizemos: dói-me as costas, ouvimos um "é normal, coisas de gravidez"...lá se foi a nossa identidade...já não sou chamada pelo nome próprio para ser chamada por "a grávida".
A gravidez é um estado de graça, já diz o povo, pois para mim nunca foi. A única graça que tem é unicamente por saber o que vem aí, porque de resto, desde o 1º dia que fisicamente e muitas vezes até mentalmente a gravidez teve tudo menos graça. Esta noite por exemplo desesperei, o sono era muito, mas as dores nas costas eram maiores.
A verdade é que temos obrigação de estar sempre a sorrir e se não sorrimos é porque somos "más mães".
Quero ver o que me espera quando o Pedro nascer e eu andar com umas olheiras de meio metro, desesperada porque não entendo a linguagem do bebé. Não acredito que o 1º mês seja de felicidade, a não ser naqueles momentos em que contemplamos o nosso filho a dormir e nos invade uma sensação plena e orgulho.

Vou continuar a pensar em mim. Nada me dá mais orgulho do que olhar para a minha mãe e ver que abdicou com certeza de muita coisa por causa dos filhos, mas nunca dela própria. Orgulho-me de saber que tem vida própria, que é independente.

8 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns por este post!
Aqui está certamente o que muitas grávidas gostariam de dizer, mas não o fazem por medo...
Estou grávida pela 2ª vez e só agora tenho coragem de falar assim, pois na 1ª gravidez recriminava-me por tudo, hoje não dou importância a certos comentários e penso de outra forma...
A continuação de uma óptima gravidez, continuarei a visitar o teu blog
BJS
Suff

Vanessa Kirnicki disse...

Ola
Gostei do post...
Sabes eu sempre fui muito independente e sempre pensei mto em mim e continuo a fazer. Eu quando digo que nao quero mais filhos porque pretendo voltar a estudar e quero ter tempo para mim e para me divertir. Nao quero passar anos e anos a mudar fraldas e as pessoas ficam chocadas com isto. O meu filho vai ter uma importancia para mim que eu ainda nem imagino mas sei que daqui a 18 anos vai me dizer assim "Mae eu vou a minha vida"... Para que viver so para os filhos esquecermo-nos de nos, para depois eles nos deixarem.
Em relacao a amamentacao, eu acho ridiculo amamentar mais de 6 meses. Nao compreendo!! Para dizer a verdade quando penso que vou amamentar lembro me logo de uma vaca, porque sera lol! Nao me fascina nada e nao acho bonito nem nada do genero. Vou faze-lo so pelo bem do Jason, pois e o melhor para ele. Mas vou faze-lo por 3 meses mais que isso ta fora de questao.

Beijinhoooss grandes e melhoras com as dores :) eu tenho sofrido do mesmo!!

Cristiana disse...

Antes de mais parabéns e obrigada pela tua visita!!! Aiiiii esse tema dava pano para mangas... Mas não me quero armar na última mãe à face da terra (é um sindroma que as mulheres têm depois de nascerem os filhos, julgamos que sabemos tudo e que podemos aconselhar as outras..) looool

Beijocas grandes e continua a visitar-nos..
Aiiiii o nosso Portooo

Lojinha do Canteiro das Joaninhas disse...

Olá nesta época em que já cheira a Natal não deixe de fazer uma visitinha a "Lojinha do Canteiro das Joaninhas" e aproveitar as promoções...porque cada pessoa é única dê presentes especiais...personalizados feitos a mão com todo o Amor!!
Desde já obrigada pela visita!!

Sofia, Pedro e Joana disse...

Olá Quicas, o teu texto é muito pertinente. Na minha opinião, quando encontramos textos com "Serei má mãe", poderemos antever uma mãe que não se sente "má", no sentido da palavra, mas sim com dúvidas. E isso é perfeitamente natural. Eu também tenho dúvidas e o facto de ter um babyblog ajuda-me a trocar experiências com outras mães ou, inclusivamente, a auxiliar grávidas que colocam questões. Eu não penso que haja blogs perfeitos, aqui e ali encontro dúvidas e momentos menos bons, como noites mal dormidas, as normais doenças, etc.Faz parte!E a gravidez e a parentalidade são estados de graça que se complementam, a meu ver. E as pessoas, mães e pais, não têm que se anular, muito pelo contrário.Nós, pais, somos os primeiros pontos de referência dos nossos filhos. E, sendo os primeiros, deveremos ser os melhores para eles, com a nossa identidade, com a nossa experiência (que vamos contruindo), com a nossa formação, com os nossos valores. Porque é para nós, pais, que os nossos filhos olham como modelo comportamental.
Quanto a ideias pré-concebidas, eu penso que deveremos fazer sempre o que achamos que é melhor para o bebé e para nós. Porque não existem casais (pais/filhos) iguais,nem circunstâncias iguais.
Beijinhos e bom fim-de-semana para vocês,Sofia,Pedro e Joana

Sofia, Pedro e Joana disse...

Olá Quica, obrigada pelo comentário que deixaste no nosso cantinho. Parece-me que estamos de acordo, então. Existem dúvidas, naturalissimas, e a meu ver as comparações (o meu filho faz isto, o teu aquilo, etc) não são muito úteis na medida em que cada familia, cada criança, é única.
Beijinhos para ti,Sofia,Pedro e Joana

Seni disse...

Apetece dizer-te "Uma Salva de palmas para ti!!!" Sou mãe de 2.ª viagem e digo sem pestanejar que daria a vida pelos meus filhos, mas.... nunca ame anulei quanto mulher. O amor a um filho é de facto um amor infinito unico e incondicinal, mas.... felizmente continuo a gostar muito de mim sempre!! (agora menos porque detesto ver-me grávida!!!)
Um beijinho grande de cumplicidade
( tb sou Carneira ;-), nota-se ?)

Pat disse...

Como concordo contigo...